Versalhes «segue os passos da capital»

Le Parisien 0 Sexta 02 Abril 2021
Versalhes «segue os passos da capital»

Situada a 30 minutos de Paris de comboio, a cidade real seduz os compradores (sobretudo os parisienses, postos à prova pelos sucessivos confinamentos) em busca de espaço e de verde. Uma atratividade que faz subir os preços.

Mesmo com o castelo de portas fechadas, Versalhes está cheia. «Neste momento contamos dez compradores para cada imóvel à venda em Versalhes. As nossas vendas fecham-se em menos de doze dias, contra quarenta e cinco dias a nível nacional», congratula-se Eric Sanvélian, diretor da agência ERA l'Immobilière Versaillaise, situada no coração da cidade, no muito procurado bairro Saint-Louis. «Nada a ver com a crise de 2008!»

Na falta dos milhões de turistas neste período de pandemia, a antiga cidade real seduz os parisienses em busca de verde e de tranquilidade. «Não é por acaso que se costuma dizer que a floresta de Versalhes e os seus arredores contam tantas árvores como habitantes (N. da R.: cerca de 88 000 residentes) … Os jardins estão muito presentes e é isso que seduz», resume o profissional.

Quase 25% de aumento em cinco anos

Fiel à sua imagem burguesa, a cidade de Luís XIV tornou-se a mais cara dos Yvelines , de que é a capital. «O preço médio do imobiliário subiu 0,6% num ano, mas sobretudo 23,5% nos últimos cinco anos, entre 2016 e 2021… É menos do que em Paris (+30%), mas Versalhes segue os passos da capital», nota Barbara Castillo-Rico, responsável pelos estudos económicos do comparador online MeilleursAgents. A 1 de março de 2021, os apartamentos de Versalhes apresentavam um preço médio por metro quadrado de 7923 euros e as moradias de 7828 euros, segundo o site.

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Montantes que vários profissionais locais consideram já ultrapassados, rondando o preço médio sobretudo os 9 000 a 10 000 euros por metro quadrado. «A diferença de preço em relação a Paris reduziu-se claramente: já não passa de cerca de 1 500 euros entre os bairros nobres da capital e os de Versalhes», observa Eric Sanvélian.

«O imobiliário inflamou-se nos últimos meses, à imagem da Bolsa», acrescenta Nicolas Moirignot, diretor da BARNES Yvelines Sud. «E 2021 anuncia-se já espetacular, depois de um belo ano de 2020, em que os preços subiram 10% a 20% em alguns locais.»

Os bairros do centro, Saint-Louis e Les Prés, entre os mais atrativos

Entre os bairros mais procurados, lidera o muito chique bairro central de Notre-Dame (mais de 8 500 euros por m²), com a rue de la Paroisse e a place du Marché, dois locais muito apreciados pelos compradores pelos seus restaurantes e pelo seu comércio.

«O bairro de Saint-Louis, com Les Prés, junto ao palácio (mais de 7 800 euros por m²), é também muito procurado», comenta Nicolas Moirignot. «Mais especificamente a rue de Satory e a rue Royale, que corta o Carré Saint-Louis em dois, com o seu comércio alimentar e os seus serviços de catering… Ao mesmo tempo central e urbano, o bairro continua muito arejado e soube conservar um caráter autêntico, com casas de estilo Diretório com soalho, molduras, lareira e belos pés-direitos.»

Mais difíceis de encontrar, as casas veem o seu preço por metro quadrado disparar: conte com um mínimo de 9 000 a 10 000 euros por m² nestes bairros centrais e históricos da cidade. Encontram-se em maior número e a um preço mais acessível (ainda assim, mais de 8 200 euros por m²) um pouco mais a norte, no bairro de Clagny-Glatigny, ou do lado dos bairros de Jussieu e Chantiers, mais afastados do centro e próximos das linhas ferroviárias (abaixo de 7 000 euros por m²).

«Tendo em conta o poder de compra local, estes preços elevados obrigam a manter o imóvel pelo menos nove anos (contra seis a sete anos em Paris) para rentabilizar a compra», sublinha Barbara Castillo-Rico.

Esta excelente reputação de Versalhes explica-se de forma bastante lógica. Situada a apenas uns quinze quilómetros da capital, «Versalhes oferece as vantagens da cidade de província às portas de Paris», resume Eric Sanvélian.

Afastada do frenesim parisiense, mas bem servida de transportes…

«Tem a particularidade de albergar diferentes aldeias, cada uma com o seu próprio centro: Notre-Dame, Saint-Louis, a rue de Montreuil… Outros tantos ambientes diferentes, bairros onde se encontra a marca dos burgueses de outrora, dos comerciantes que viviam das suas atividades aos pés do palácio do Rei Sol», completa Nicolas Moirignot. Uma atmosfera afastada do frenesim parisiense sem se distanciar demasiado dele. Porque as suas acessibilidades são também um dos seus grandes trunfos.

Além de numerosas linhas de autocarro, três estações da SNCF (Rive Droite, Rive Gauche e Chantiers) ligam-na ao centro de Paris (conte 30 minutos até à estação de Saint-Lazare), mas também ao norte e ao sul. A estação de Versailles Chantiers é já a segunda estação mais frequentada da Île-de-France depois de La Défense (fora de Paris intramuros), graças às suas numerosas ligações (RER C, rede Transilien, TGV e futuros tram-trains).

E a construção prevista até 2030 de uma nova estação de Chantiers, contígua à existente, para receber a passagem da linha 18 do Grand Paris Express deverá intensificar ainda mais este tráfego (a estação de Orly ficaria a 30 minutos em vez de 44).

... e de escolas

Por fim, se Versalhes atrai sobretudo as famílias, é também graças à sua rede escolar exemplar. Conta com mais de sessenta estabelecimentos de ensino, entre os quais liceus públicos reputados como La Bruyère, Les Châtaigniers, Marie-Curie, Jules-Ferry ou o liceu Hoche, a poucos passos da place du Marché.

«Do pré-escolar às classes preparatórias, a rede escolar propõe, à escala humana, um leque completo de tudo aquilo de que uma família precisa», garante o diretor da Barnes Yvelines Sud. É sem dúvida isso que explica que a idade média dos seus habitantes seja de 39 anos.


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